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Blog dos alunos de jornalismo da PUC-SP

Contra a invisibilidade

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Por Cecília Garcia

O feminismo é um movimento heterogêneo, que ramifica-se em vertentes correspondentes as diferentes nuances e lutas das mulheres que o protagonizam. Uma mulher branca e heterossexual não tem as mesmas reivindicações que uma mulher latina bissexual, que também compartilha diferentes de uma mulher negra transexual.  Rosa Luz canta sobre a violência de gênero, Maria Ordália versa sobre o preconceito contra as religiões afro-descendentes, Thaís Oliversi de cabeça erguida e turbante fala sobre o preconceito com relação a orientação sexual; elas são expoentes de um feminismo negro que precisa ser discutido.

Quando a videomaker Karol Maia ouviu de uma amiga sobre a ideia de fazer uma série documental sobre mulheres, ela opinou sobre a abrangência do tema, talvez incapaz de captar as nuances das quais são feitos os tantas feminismos. Surgiu então a ideia da produção de um material audiovisual que falasse sobre a condição do feminismo negro, principalmente de mulheres que estão em grupos de opressão como as transsexuais, as homossexuais e as praticantes de religiões de matriz africana.

Ela e as amigas Agnis Freitas, Camila Izidio e Carol Rocha criaram então a websérie Nossa História Invisível. “Estamos dando visibilidade para outras narrativas surgirem, para pessoas diferentes enxergarem essas mulheres”, explica Karol. A websérie percorre em episódios de dez minutos as histórias de mulheres diferentes perpassadas por um fio condutor comum: são mulheres negras, fortes, e tem diferentes áreas de atuação contra a opressão, machismo e invisibilidade. Três das pílulas já estão disponíveis no youtube, e são fruto de um trabalho autogestionado, onde quatro mulheres são responsáveis artesanalmente por cada parte da produção e divulgação do projeto.

Os episódios na íntegra estão sendo exibidos regularmente em diversos espaços da cidade – a primeira sessão aconteceu no início de agosto, em Parelheiros, no evento Encontro da Mulher Negra. Para as criadoras, é importante que o material circule nos lugares mais diferentes possíveis. No último dia 27 de agosto, o filme foi exibido em sessão no espaço Matilha Cultural, e também está planejado que ele integre importantes agendas em direitos humanos, além de ser exibido fora da região central de São Paulo.

O grupo também planeja disponibilizar online os episódios na íntegra. “Isso vai fazer com que a exibição não dependa somente de nós, podendo acontecer em cineclubes ou levadas para sala de aula por professores e professoras”, finaliza Karol. A internet é apenas mais um dos territórios a serem ocupados por essas jovens mulheres. Muito mais do que dar visibilidade, elas são um canal para histórias de mulheres que já são potentes por si só só, e que precisam ser contadas para novos públicos e sob novas perspectivas. 

 

Indie Festival 2016 chega em SP

Por Larissa Vaz

O cinema independente dominou as telas do CineSesc no dia 15 de setembro com o Indie Festival 2016. Criado em Belo Horizonte e expandido para a capital paulista há 10 anos, o evento se propõe a revelar ao público um cinema pouco conhecido e bastante variado, produzido no Brasil e no mundo.

Nesta edição, serão exibidos 13 filmes na Mostra Mundial, quatro longas clássicos (“Hiroshima Meu Amor”, “Blow Up – Depois Daquele Beijo”, “Estranhos no Paraíso” e “O Homem Que Caiu na Terra”) e cinco longas e oito curtas na retrospectiva dedicada ao diretor polonês Walerian Borowczyk.

 

Programação:

Quinta-feira, 15 de setembro
14h30            – Lampedusa
17h – Teatro Do Senhor E Senhora Kabal
19h – Hiroshima Meu Amor
21h – Apesar Da Noite

Sexta-feira, 16 de setembro
14h30 – Suite Armoricaine
17h30 – A Vida Após A Vida
19h – Na Vertical
19h – Masterclass – ‘Uma Banda De Um Homem Só: Walerian Borowczyk’ (com Daniel Bird)
21h – Goto, Ilha Do Amor

Sábado, 17 de setembro
14h30 – Estranhos No Paraíso
17h – Blanche
19h – Creepy
21h30 – A Besta

 Domingo, 18 de setembro
14h30 – Lily Lane
17h – Contos Imorais
19h – O Que Está Por Vir
21h – O Homem Que Caiu Na Terra

Segunda-feira, 19 de setembro
14h30 – Short Stay
17h – A Morte De Luís Xiv
19h – O Estranho Caso De Dr. Jekyll E Senhorita Osbourne
21h – Mais Um Ano

Terça-feira, 20 de setembro
14h30 – Era Uma Vez
14h30 – Casa
14h30 – Renaissance
14h30 – O Jogo Dos Anjos
14h30 – Rosalie
14h30 – Uma Coleção Particular
17h – Happy Hour

Quarta-feira, 21 de setembro
14h30 – A Vida Após A Vida
16h30 – História Do Pecado
19h – Blow-Up
21h – Três Histórias De Amor

Serviço
Quando:
De 15 a 21 de setembro de 2016
Onde: CineSesc – Rua Augusta, 2075
Quanto: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC)
Mais informações: http://www.indiefestival.com.br/2016/
http://www.sescsp.org.br/
(11) 3087-0500

 

Red Bull Station traz rap e poesia para o centro de SP

Por Octávio Bezerra do Nascimento

No último sábado, 27/08, aconteceu na Red Bull Station, com entrada gratuita, mais uma edição da batalha de MC’s da Sófálá.

O evento que foi realizado das 16 até as 20 horas contou com discotecagem do DJ Murillo, apresentação do grupo de b-boys Side by Side Crew, pocket shows das rappers Barbara Bivolt e Souto MC e a já tradicional batalha do conhecimento, onde o público sugeria temas para o duelo entre os MC’s, que tinham 30 segundos cada para rimar sobre o assunto e tentar impressionar a plateia.

O espaço conta com 3 andares, o primeiro com uma lanchonete com algumas cervejas artesanais e outras de marcas conhecidas, salgados e sucos, no segundo andar fica o auditório onde aconteceram os shows e a batalha e o terraço que conta com algumas mesas e tem uma bela vista do centro da cidade, o que atraía até mesmo alguns curiosos que subiam só pra tirar algumas fotos.

O projeto Sófálá acontece todo último sábado do mês, sendo nos meses pares realizadas as batalhas de MC’s e nos meses ímpares acontecem os slams, que são encontros de poesia falada, no evento foram distribuídos para as pessoas cd’s do slam do último mês. O primeiro e o segundo colocado da batalha Cauã MC e Gio MC ,respectivamente,  ganharam a chance de gravar uma música cada no Red Bull Studios de São Paulo.

Festival Internacional de curtas-metragens já chegou em São Paulo

Por Larissa Vaz

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo chega à sua 27ª edição exibindo cerca de 400 filmes de mais de 60 países, que foram selecionados em meio a mais de 3550 inscritos, além de títulos convidados. Totalmente gratuita, a programação acontece em sete salas de cinema da capital.

Com o tema O Estado do Mundo, a edição destaca filmes que tratam de questões sociais, políticas e comportamentais que estão presentes em nosso dia-a-dia, como a censura e a liberdade de expressão, imigrações e a xenofobia, os direitos e a violência contra as mulheres, a acessibilidade e a inclusão das diferenças. A programação é dividida em mostras principais Internacional, Latino-Americana e Programas Brasileiros e nos Programas Especiais, além de Atividades Paralelas, que incluem debates, workshop e uma instalação fotográfica.

O Festival de Curtas vai além da exibição de filmes. A programação traz diversas atividades paralelas abertas ao público. Entre as atrações, está a instalação audiovisual Invasão, da jovem fotógrafa Dáurea Gomes, do Rio de Janeiro, que está em exposição desde o dia 25 de agosto e vai até 03 de setembro no MIS. Utilizando fotos e áudios, ela demonstra a posição de mulheres em meio a olhares e “cantadas” masculinas.

De Portugal, vem o diretor Pedro Serrazina, que dará o workshop de animação Cidade Sonhada São Paulo/Lisboa, entre os dias 01 e 03 de setembro, também no MIS. Com vagas limitadas e indicado para profissionais e estudantes de cinema, arquitetura e design, as aulas propõem a produção de animações que relacionam os espaços urbanos do Brasil com imagens de Lisboa.

Serviço

27º festival internacional de curtas-metragens de São Paulo

Quando: De 24 de agosto a 4 de setembro de 2016

Onde: MUSEU DA IMAGEM E DO SOM
Av. Europa, 158
Tel. (11) 2117-4777
170 Lugares (Auditório)
64 Lugares (LAB-MIS)

CINESESC
R. Augusta, 2075
Tel. (11) 3087-0500
254 Lugares

CINEMATECA BRASILEIRA
Lgo. Sen. Raul Cardoso, 207
Tel. (11) 3512-6111
215 lugares (sala BNDES)

ESPAÇO ITAÚ AUGUSTA
R. Augusta, 1.475
Tel. (11) 3288-6780
84 Lugares (sala 4)

CINUSP “PAULO EMÍLIO”
R. do Anfiteatro, 181
Favo 4, Colmeia,
Cidade Universitária
Tel. (11) 3091-3540
100 Lugares

UNIBES CULTURAL
R. Oscar Freire, 2500
Pinheiros
(11) 3065-4333
300 lugares

CIRCUITO SPCINE:

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
R. Vergueiro, 1000, Paraíso
Tel. (11) 3397-4002
99 Lugares

CEU ARICANDUVA
Rua Olga Fadel Abarca, S/N

CEU BUTANTÃ
Avenida Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1870

CEU CAMINHO DO MAR
Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241

CEU PAZ
Rua Daniel Cerri, 1549 Jardim
Paraná/Brasilândia

CEU SÃO RAFAEL
Rua Cinira Polônio, 100 – São Rafael
São Paulo – SP

Quanto: Grátis – a bilheteria será aberta somente no dia do evento e em seu horário de funcionamento (terça a sábado, das 13h às 21h30; domingos, das 13h às 20h30) – os ingressos não estarão disponíveis pela internet

Site: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2016/

 

Festivais exibem filmes clássicos e raros em SP

Por Larissa Vaz

Neste mês de agosto, grandes produções estão ocupando boa parte da programação nos cinemas, o que é uma boa notícia para os fãs de aventuras e efeitos especiais, mas não para os cinéfilos que preferem as histórias que passam longe de Hollywood. Pensando neles que existem algumas novidades no circuito alternativo da cidade.

Ditadura no cinema
De 02 e 30 de agosto, às terças, o Sesc Santana exibirá a mostra Punir: A ditadura no cinema. Serão exibidos, gratuitamente, os longas como o clássico “O grande Ditador”, de Charles Chaplin, e “O País de São Saruê”, documentário de Vladimir Carvalho, gravado no chamado Polígono da Seca, que ficou proibido de 1971 a 1979 pelos órgãos de censura da época. Ao término de cada sessão, o conteúdo apresentado é discutido por Luis Carlos Pavan, pesquisador de cinema e produtor cultural, e Careimi Ludwig Assman, mestre em comunicação e semiótica, e produtora cultural.

Mostra Punir: A ditadura no cinema
Quando: 02 a 30 de agosto, terças, às 20h
Onde: Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo)
Quanto: Grátis
Mais informações: 0800-118220 ou pelo portal sescsp.org.br/santana

Cine Nostalgia
Pegando carona no sucesso de séries como “Stranger Things” e a onda nostálgica dos anos 80, o Cinemini Nostalgia, do Sesc Pompeia, exibe em agosto grandes clássicos infanto-juvenis dos anos 70 aos 90 para os pais assistirem junto aos filhos. Na programação, estão “E.T. – O Extra Terreste” (1982), de Steven Spielberg, “Os Fantasmas Se Divertem” (1988), de Tim Burton, “Gremlins” (1984), de Joe Dante, e “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1941), de Mel Stuart, que serão exibidos com dublagem em português.

Cinemini Nostalgia
Quando: de 13 a 28 de agosto, sábados e domingos, às 12h
Onde: Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93, Pompéia)
Quanto: Grátis (ingressos distribuídos com uma hora de antecedência)
Mais informaçõessescsp.org.br/pompeia

Projeto leva cinema a todas as regiões da capital

Por Larissa Vaz

O circuito SPCine inaugurado em março desse ano é um cinema da rede pública que oferece ótimo entretenimento para classes menos favorecidas da cidade. Aprovado em 2013 pela Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em dezembro de 2013, o circuito SPCine está a todo vapor sendo exibidos filmes em todos os locais de acesso com uma estrutura adequada e com imagens projetadas em alta qualidade. O sucesso do projeto vem crescendo e sendo utilizado por pessoas de diversas classes sociais.

O circuito SPCine foi criado através da participação ativa do setor audiovisual. Para a criação da empresa, a Secretaria Municipal de Cultura e o Governo do Estado de São Paulo junto se uniram com a Agência Nacional de Cinema (ANCINE) e trabalharam para que o circuito SPCine se tornasse essa realidade de hoje.

A cerimônia oficial aconteceu no CEU Butantã, no dia 30 de março desse ano, com a presença da comunidade, personalidades do audiovisual, convidados especiais e os gestores envolvidos no projeto.

Entre os espaços estão o Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, Biblioteca Pública Roberto Santos, além de 15 CEUs (Centros Educacionais Unificados). Desta forma, todas as regiões de São Paulo passam a integrar o mapa do Circuito. Nos centros culturais, o preço do bilhete varia de R$ 4,00 a R$ 8,00; nos CEUs, é gratuito.

O circuito SPCine é mais uma forma de trazer cultura e lazer para as pessoas que não podem pagar 30 reais para custear o ingresso em um cinema convencional. Para mais informações sobre a programação e locais acesse o site oficial da Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo – SPCine.

http://www.circuitospcine.com.br/

20 anos depois: a “Pokefebre” está de volta

Por Vitor Guimarães

Essa será um editoria de “nerdices” e não teria como começar não falando  de realidade aumentada e Pokémon GO. Não é raro encontrar alguém jogando Pokémon Go no ônibus, nas ruas.  Acredito que realmente a “Pokefebre” voltou com força total. A própria “Legendary Pictures” mostrou o interesse para um possível live action de Pokémon. Para o filme ser bom, em minha opinião, é só fazerem uma criança como protagonista, porque um adulto seria completamente sem sentido e chato.

Claro que nem tudo é um mar de rosas para os jogadores ainda mais aqui no Brasil, que andar com um celular “nextgen” na rua é pedir para perde-lo, ou ser roubado. Embora, não seja complicado bolar estratégias para impedir que você não os perca como ativar o modo “econômico” onde o jogo apaga a tela mas continua rolando. Ainda acho que os lados positivos falam mais alto do que os lados negativos, vi casos onde o jogo está ajudando pessoas que tinham medo de sair de casa. Algumas dicas para quem quer se aventurar na caçada de Pokémons.

Outra duvida que fica o jogo terá um futuro ou irá durar muito nos celulares? Eu não sei responder isso, eu não pretendo parar de joga-lo tão cedo. Afinal eu espero a exatos 11 anos para poder caçar esses monstros de bolso que foram tão presentes na minha vida

 

Entre benefícios e críticas: LEI ROUANET

Por Fernando Pietrobom

 

A editoria de Incentivos Fiscais visa detalhar projetos e explicar o funcionamento das principais leis existentes no Brasil. O primeiro post será sobre a Lei 8.313, conhecida como Lei Rouanet, de 1991, que instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e estabelece as normativas de como o Governo Federal deve disponibilizar recursos para fomentar a cultura no Brasil. Para cumprir este objetivo, um dos mecanismos criados foi o “Incentivo a projetos culturais”, também chamado de “Incentivo fiscal”.

 

Os projetos culturais podem ser enquadrados no Artigo 18 ou no Artigo 26 da Lei Rouanet. Quando o projeto é enquadrado no artigo 18, o apoiador poderá deduzir 100% do valor investido, desde que respeitado o limite de 4% do imposto devido para pessoa jurídica e 6% para pessoa física.

 

O apoiador de um projeto enquadrado no artigo 26 poderá deduzir, em seu imposto de renda, o percentual equivalente a 30% (no caso de patrocínio) ou 40% (no caso de doação), para pessoa jurídica; e 60% (no caso de patrocínio) ou 80% (no caso de doação), para pessoa física.

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Músical “Gabriela, cravo e canela”

Para que um projeto seja aprovado, uma proposta deve ser cadastrada junto ao MinC. A proposta passa por um exame de admissibilidade, que diz respeito à viabilidade técnica da atividade a ser realizada. Uma vez que a proposta seja aprovada, ela se transformará em um projeto (com um número de Pronac). O projeto, por sua vez, precisa ser aprovado por uma das unidades técnicas vinculadas ao MinC. Após o parecer do MinC, o projeto ainda é submetido à CNIC que irá aprová-lo ou indeferi-lo.

A lei surgiu para educar as empresas e cidadãos a investirem em cultura, e inicialmente daria incentivos fiscais, pois com o benefício no recolhimento do imposto a iniciativa privada se sentiria estimulada a patrocinar eventos culturais, uma vez que o patrocínio além de fomentar a cultura, valoriza a marca das empresas junto ao público.

No entanto, há críticas à Lei. A crítica principal inclui a possibilidade de fundos serem desviados inapropriadamente. Críticas secundárias afirmam que o governo, ao invés de investir diretamente em cultura, começou a deixar que as próprias empresas decidissem qual forma de cultura merecia ser patrocinada.

Minhocão: O Passado e o presente se encontram aos domingos

Por Yessica Hernández

 

Normalmente quando se fala de cultura se pensa em manifestações acadêmicas e artísticas formais, institucionalizadas, em peças arqueológicas, livros, esculturas ou pinturas abrigadas convencionalmente em um espaço físico protegido por quatro paredes, normalmente também este lugar é chamado de museu. Cultura evoca patrimônio, patrimônio evoca memória e memória evoca passado.

Mas o que acontece quando um objeto artístico foge de seu suporte convencional? Quando troca o tecido de linho por um muro cheio de fuligem, quando se libera da proteção de um teto e se acomoda numa parede que recebe sol e chuva, quando o autor da obra não é considerado artista, mas vândalo? O que acontece quando a palavra Cultura se desfaz da “C” maiúscula e mais do que se referir a patrimônio te faz pensar em modos de vida e de expressão, quando em lugar de evocar passado invoca o presente, quando em lugar de se abrigar em um museu, invade o espaço público e se aproxima da comunidade? Surge o Minhocão.

Cada domingo esse enorme elevado que invade e deteriora um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos da região central de São Paulo, faz descansar os carros que por ele transitam para dar as boas-vindas a quem gosta andar de pé. Seus 2,725 metros de asfalto se convertem em um grande parque contemporâneo, a ausência de área verde é compensada pelos escassos, porém desafiantes jardins verticais e pelas belas plantas desenhadas nas paredes de imponentes prédios. Há quem aprenda a andar de bike, outros que praticam corrida, outros que realizam piquenique ou ateliers de pintura. Em caso da sede ou a fome o visitar, sempre tem alguém fazendo graninha vendendo cervejinha gelada, água, pipoca e até cachorro quente.

Vale a pena caminhar pela história de são Paulo, desfrutando de pertinho os bem conservados edifícios neoclássicos e belos prédios estilo Art déco, sentindo ao mesmo tempo a riqueza da sua cultura contemporânea, liberada de academicismo e formalidade.

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