A cena Techno no centro de São Paulo

Por Pedro Meirelles, Pedro Assis, Leonardo Castro e Kevin Burstin

O som alto ecoa pelas ruas do centro, um DJ mescla beats de techno com as melodias do trance, enquanto a luz do dia começa a corar os corpos dançantes que lá estão, extasiados, a horas… Como num ato de resistência, as pessoas ocupam o espaço público, explorando novos lugares da cidade, dançando politicamente.

VAMPIRE HAUS NA PRAÇA RAMOS – SÃO PAULO – SP – arquivo pessoal

Fechadas, canceladas, embargadas, as festas hoje em dia caminham por um tortuoso caminho para sua execução. A atual gestão do Estado de São Paulo mostra não gostar da festividade, da liberdade das festas de Techno pelas ruas de SP. O incêndio ocorrido em 2013 na Boate Kiss, em Santa Maria (RS) foi visto como o culpado por despertar os ânimos políticos em direção ao cancelamento das festas, pois nas eleições de 2016 diversos vereadores propuseram durante suas campanhas fortes mudanças na legislação que falava sobre os alvarás, ocupações públicas culturais e algumas outras pautas.

Diante desse quadro nasceu a atual ANEP (Associação da Noite e Entretenimento Paulista), formada por donos dos principais empreendimentos noturnos paulistas, como Renato Ratier (D-EDGE) e Facundo Guerra (Lions). O alvo da associação é a Lei dos Alvarás, criada no ano de 1992, que de acordo com o grupo está ultrapassada para o entendimento das empresas de baladas atuais.

ANEP – ASSOCIAÇÃO DE NOITE E ENTRETENIMENTO PAULISTANA ® facebook

No outro lado da cena das festas noturnas de São Paulo, se encontram os coletivos e os produtores independentes. Sem possuírem clubes ou locais fixos para realizarem seus eventos, eles passam por ainda mais dificuldades para cumprir com a demandas para se realizar uma festa. Dentre os diversos coletivos e produtores que estão em ascensão na cena paulistana, o projeto Vampire Haus do Casal Belalugosi chama muita atenção dos clubbers. Realizada sempre na Praça Ramos, o casal traz gratuitamente ao público a excêntrica sonoridade do techno com requintes vampirescos.

Existe porém, um certo desentendimento na cena da música eletrônica paulistana, entre os produtores de festas independentes e os donos de grandes clubes noturnos. Apesar de ambos entenderem que a burocracia e o alto custo para se conseguir um alvará atrapalham a realização de qualquer tipo de evento, a não participação de representantes das festas alternativas na ANEP gera atritos. Como o órgão vem trabalhando em conjunto com setor público para atender as reivindicações de seus membros, a exclusão dos produtores independentes causa dúvidas neste segmento, que segue na incerteza de se a festas independentes se beneficiarão das novas mudanças ou se serão mais perseguidas do que já são.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s