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Blog dos alunos de jornalismo da PUC-SP

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Espetáculos

É DE GRAÇA!

Por Bianca Barros

Hoje vamos falar de Teatro gratuito! Reclamações sobre altos preços de ingressos para assistir aos espetáculos atuais fizeram com que o CulturaLivreSP trouxesse uma matéria com algumas dicas de ótimas peças.

As entradas caras para boas montagens têm sido um dos argumentos mais usados para o público deixar de frequentar os Teatros e ficarem apenas nas salas de cinema. Mas, cultura ao vivo não pode faltar, e nada mais gostoso do que se divertir sem gastar. Principalmente em tempos de crise! Então, vamos lá!

Dica 1: A Inocência do Que Eu (Não) Sei

foto de Geovanna Gelan
foto de Geovanna Gelan

Com direção de Miguel Rocha e dramaturgia de Evill Rebouças, a Companhia de Teatro Heliópolis estreou o espetáculo no dia 22 de agosto. O enredo, que tem o universo escolar como tema, mostra os desejos e as contradições de pessoas em busca de aprendizagem: o Menino Rapaz que vence; a Feliz Mulher que se adapta; o Caminhante em busca do saber; e a Mulher que come maçãs. De modo poético e irônico a peça vai além do universo escolar para abordar relações humanas mediadas por meios de controle social e econômico. A peça fica em cartaz até 4 de outubro e é viabilizada pela Lei do Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo.

Quando: sábados, às 20h e domingos, às 19h

Onde: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (clique aqui para ver no mapa)

Dica 2: Diário de Uma Revolucionária

foto Paulo Reis
foto de Paulo Reis

Com direção e dramaturgia de Pedro Pires e realizado pela Companhia do Feijão, o espetáculo é baseado no diário “Paixão Pagu” de Patrícia Galvão, escrito em forma de uma longa carta ao seu companheiro, Geraldo Galvão, enquanto estava presa na ditadura de Vargas. A peça mostra a trajetória de uma mulher mulher que lutava pelos trabalhadores e pelo comunismo, mas que hoje é só lembrada pelo lado escandaloso de sua personalidade em meio aos loucos anos do modernismo. Ótimo programa pra quem se interessa pelos temas das lutas de esquerda.

Quando: Sábados e dmingos, às 20h

Onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República (clique aqui para ver no mapa)

Dica 3: Do Amor

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Amanda Ban​ffy, Carlos Baldi​m​, Gustavo Duque ​e​ Laís Marques, respectivamente

O autor Philippe Minyana mostra, com extrema sensibilidade, a passagem do tempo na vida de dois casais, desde a juventude até a morte, mostrando tudo com um humor irônico e impiedoso nas entrelinhas. Os acontecimentos comuns da vida, como amor, envelhecimento e morte, são as principais questões abordadas na obra, o que traz promixidade com o público. Sem caracterizações físicas, apenas quatro atores se revezam entre os personagens.

Quando: Quintas, sextas e sábados, às 20h

Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade, Centro (clique aqui para ver no mapa)

Dica da semana: Urinal – O Musical

Por Bianca Barros

Zé Henrique de Paula surpreende mais uma vez com a montagem brasileira de “Urinal, O Musical” com a Companhia do Núcleo Experimental. Criada pelos americanos Greg Kotis e Mark Hollmann e lançada na Broadway em 2001, a peça é uma sátira que tem como tema a crise hídrica em meio a uma má gestão coorporativa e grande irresponsabilidade social. Mais atual impossível.

O show tem no palco excelentes atores e cantores, banda ao vivo e um teatro superintimista. Esses artistas impressionam ao dispensar os microfones e trazerem de volta o bom e velho Teatro de verdade. Numa fase de espetáculos para mero entretenimento, “Urinal” traz ao público que o assiste o prazer de se sentar na plateia e assistir arte.

A comédia, que oferece boas risadas com piadas inteligentes, gira em torno dos habitantes de uma cidade que enfrenta seca há vinte anos, conhecidos como “anos fedidos”. Isso causou uma verdadeira falta d’água e os banheiros particulares foram extintos. A população, enfim, é obrigada a usar os sanitários coletivos controlados pela CBU (Companhia da Boa Urina) e, para controlar o consumo de água, as pessoas devem pagar para poder usar essas dependências.

Foto de Ronaldo Gutierrez
Foto de Ronaldo Gutierrez

Todos lá são muito pobres e nem sempre conseguem o dinheiro para urinar. Nisso, Patrãozinho, diretor da Companhia, aplicou na cidade leis muito severas: Quem fizer suas necessidades na rua é mandado para uma suposta colônia penal chamada “Urinal”, de onde ninguém nunca retorna.

Certo dia, um velho senhor faz xixi nas calças e é considerado criminoso e enviado para Urinal. Irado com o acontecimento, Bonitão, seu filho, inicia uma revolta que pode mudar tudo.

Para saber mais, http://www.nucleoexperimental.com.br/

Serviço:

De 11 de julho a 12 de outubro de 2015

Quando: Sextas, sábados e segundas às 21h, domingos às 19h.

Quanto: de R$60 a R$80 (estudantes e profissionais da Classe Artística pagam meia)

Onde: Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda)

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O artista como performer

Por Bianca Barros

Na semana passada publicamos aqui uma matéria sobre as questões em torno das Leis de Incentivo à Cultura. Desta vez, resolvemos mostrar um lado positivo dessa iniciativa governamental para o teatro brasileiro: O Teatro Musical. Hoje o país é um dos maiores polos desse gênero no mundo. Sua alavanca foi em 2001, com a montagem do famoso “Os Miseráveis”, franquia trazida da Broadway, que alcançou mais de 300mil espectadores em 11 meses em cartaz. A partir de então, o gênero só cresceu, conquistando cada vez mais fãs por todo Brasil.

Muito antes da vinda desses grandes espetáculos trazidos de fora, o Rio de Janeiro já possuía força no que era chamado Teatro de Revista, gênero que ligava esquetes cômicas e musicais. Um pouco mais tarde, nas décadas de 60 e 70, a finalidade de apenas entreter foi perdida, dando lugar a um viés mais politizado, com as peças musicadas de Chico Buarque de Holanda, como “Gota D’Água”, “Roda Viva, “Calabar” e “Ópera do Malandro”, feitas na época de repressão política no Brasil.

foto do cartaz do musical
cartaz do musical “Roda Viva” em 1968

Em meio a isso, começaram montagens mais livres, como “Minha Querida Senhora”, tradução de “My Fair Lady”, protagonizada por Bibi Ferreira em 1962. Dessa época até os anos 2000, foram feitos centenas de espetáculos sem muitos recursos, uma vez que os teatros brasileiros não possuíam uma estrutura adequada para receber as orquestras, os cenários e não tinham boa acústica. Mas, com os orçamentos generosos liberados pelas Leis de compensação fiscal, iniciou-se a realização de grandes montagens que auxiliaram a profissionalização neste setor.

Para produzir um espetáculo desses são necessários milhões de reais. O musical “Chacrinha”, o qual teve sua estreia na segunda metade de 2014, precisou de um valor de produção de R$10milhões, por exemplo. “Sem essas Leis, certamente as grandes produções não poderiam ter vindo como vieram e nem ter feito do Teatro Musical um mercado de trabalho. Isso possibilitou o surgimento de produtoras e o interesse dos artistas em se aprimorar e investir no estudo para estarem aptos para esses grandes shows”, aponta Gabriel Ebling, ator e professor de Teatro Musical na 4act Performing Arts, um dos maiores centros de estudos e formação em Teatro Musical do Brasil.

cena de
cena de “Chacrinha, O Musical”

Atualmente, há muitas escolas de formação de atores, mas as maiores procuras para artistas que desejam se especializar nessa área é por performers, os quais têm conhecimento de todas as principais artes performáticas (a tríade: dança, canto e interpretação). Infelizmente, é visto que os aspirantes à profissão têm chegado muito preocupados em apenas cantar bem, esquecendo os outros pontos que levam um artista a ser performer em Teatro Musical.

Segundo Gabriel, o país tem ótimos profissionais, mas não há a cultura de estudar as três artes citadas nas escolas comuns, como é lá fora. Esse é um dos grandes fatos que diferenciam nosso mercado do da Broadway (Nova Iorque) ou de West End (Londres) “O Brasil está mais escasso na junção das três áreas. Temos pessoas maravilhosas para cada uma delas separadamente, mas não tem como não as ter juntas quando se fala de Teatro Musical. É nisso que as pessoas precisam investir, em como unir tudo”. Hoje as principais capitais brasileiras têm grandes cursos que oferecem esse tipo de formação.

Pensando em números, o público aumentou, a quantidade de produtoras cresceu, bem como de teatros, de escolas do gênero, de patrocinadores e de todas as outras áreas relativas ao meio. “Ainda é muito difícil viver de arte no Brasil, e será daqui há dez ou vinte anos, mas certamente os musicais vieram para somar e ajudar na criação de um público para todos os tipos de arte” encerra.

As críticas da classe artística em torno das Leis de Incentivo

Por Bianca Barros

apoio

Em maio deste ano, a atriz, roteirista e diretora, Fernanda Torres, utilizou de sua coluna no site do jornal Folha de S. Paulo, para falar um pouco sobre as questões em torno das Leis de Incentivo à Cultura. Abordou as dificuldades de pequenos espetáculos teatrais com artistas “anônimos” a conseguir o apoio, mas, também, falou dos profissionais “consagrados” conseguirem com mais facilidade e terem igual direito aos mesmos.

Para quem não sabe, a finalidade dessas Leis é fomentar a cultura em todo o Brasil. Ela consiste em o artista ou interessado encaminhar seus projetos para o Ministério da Cultura, onde serão analisados e avaliados. Caso aprovados, as empresas ou pessoas físicas que quiserem investir no projeto poderão ter isenção de até 100% de seu imposto de renda. Ela visa incentivar projetos os quais têm potencial, mas precisam desse incentivo para seguirem adiante.

A Classe Artística, por sua vez, discute a questão prática do assunto. Eles hostilizam o fato de os espetáculos de menor porte, os quais realmente precisam de incentivo, acabam não sendo incentivados, enquanto os que não necessitam, são. Uma das maiores críticas é a das grandes produções internacionais como “O Cirque du Soleil” e bandas e cantores estrangeiros, que ao serem trazidos ao país, têm seus espetáculos realizados com recursos obtidos nas leis de incentivo. Outra situação apontada é a dos artistas brasileiros, incluindo nomes como o do cantor Roberto Carlos, serem indignos desse incentivo por falta de necessidade desse tipo de apoio ao contarem com outros mecanismos de obtenção de patrocínios.

A pergunta é: qual o verdadeiro intuito dessa Lei? Viabilizar a ampliação de toda uma indústria cultural para a criação de um mercado de trabalho e valorização da arte brasileira; ou dar oportunidade à população de assistir a expressões artísticas as quais elas não teriam acesso, se não contassem com recursos de grande valor?

Em entrevista, o ator e produtor teatral, Júlio Oliveira, atualmente no ar com a novela “Os Dez Mandamentos” da Rede Record, expôs suas opiniões em relação a este assunto de forma concisa e consciente:

CulturaLivreSP:  Você já tentou o apoio de Leis de incentivo à cultura na hora de levantar um espetáculo e não conseguiu. Por que você acha que isso aconteceu?

Júlio Oliveira: Hoje a concorrência é muito grande em relação a todos esses projetos e, o que eu fico triste de ver e de presenciar, é que o que conta muito na hora de diferenciar um projeto do outro não é tanto a qualidade artística, mas, muitas vezes, os contatos que as pessoas possuem. Então, eu resolvi continuar com o meu projeto sem o incentivo pela descrença de passar por todas as fases burocráticas. A opção de fazer um espetáculo independente e nesse circuito cooperativa vem para que, de fato, o espetáculo aconteça.

CulturaLivreSP: Como você fez para continuar com o projeto sem esse apoio?

Júlio Oliveira: Pra levantar a peça, primeiro, eu precisei convencer as pessoas que eu queria que participassem do projeto mostrando o quanto ele era promissor. Esses projetos, quando não têm um patrocínio, eles te trazem incerteza de retorno financeiro, são um tiro no escuro. Você depende de sucesso de bilheteria. Mas, no ator, nada substitui a vontade de trabalhar. Teatro é isso. É você estar em circuito. Não dá pra você fazer um espetáculo a cada dois anos esperando o retorno da Lei, se é que ela vem.

CulturaLivreSP: Muitos reclamam do excesso de incentivo àqueles que não necessitam dele, por possuírem outras formas de patrocínio financeiro, como por exemplo as imensas produções recentes de teatro musical e profissionais de nome reconhecido. Enquanto isso, montagens com artistas mais desconhecidos nacionalmente têm dificuldades de consegui-los. Em contraponto, Marietta Severo, uma das maiores atrizes brasileiras, teve dificuldades de patrocínio com sua última peça “Incêndios”. Onde você acredita que está a falha democrática (ou não) das Leis?

Júlio Oliveira: Existem inúmeras falhas dentro da Lei, mas a maior delas não está presente no papel, ela está presente nas relações Inter comerciais, digamos assim. Muitas pessoas conseguem a aprovação,  mas não têm a certeza do dinheiro. Ela erra quando coloca valores de produções milionárias focando em uma única produção, enquanto esse valor poderia ser dividido entre outras várias e assim se gerar igualdade de oportunidades. E isso é uma grande falha. A questão maior não é a fama ou não das pessoas presentes nas produções, mas nos contatos que elas têm.

CulturaLivreSP: Como você acredita que a Lei poderia vir a ser mais eficiente e passar a incentivar as produções que realmente necessitam de incentivo?

Júlio Oliveira: Eu diria que precisaria de uma urgente reforma na distribuição de autorização de captação de verba. Isso mudaria muita coisa.

Júlio Oliveira, ator entrevistado para o blog
Júlio Oliveira, ator entrevistado para o blog

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