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Blog dos alunos de jornalismo da PUC-SP

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Feminismo

Uma agenda (necessária) sobre o feminismo

marcha1.jpgCréditos: Agência Brasil

 

Por Cecília Garcia

A cultura é dinâmica, fluída, imaterial, identificada pela mente em um processo de constante acumulação e exclusão. O pensador francês Félix Guattari, em sua definição de cultura, falou de uma alma coletiva, e por mais poética que soe a descrição, ela também contém o peso de ser pensada por muitos, algo que o escritor Milan Kundera identificou como uma insustentável leveza do ser. Afinal se em 2016 mulheres ainda tem que levantar punhos e cartazes nas ruas para protestar contra a cultura do estupro, após uma jovem ter sido violentada por 30 homens, teme-se então o quanto a cultura pode ser estática e masculina – pensada por homens e gozada por eles. 

Mas se acreditamos que a cultura tem como qualidade ser mutável, não há dúvidas de que somente a ação e a reação são capazes de transformar a cultura do machismo. Se somos o sétimo país mais violento para mulheres viverem,  também somos responsáveis por um compilado de leis progressistas para protegê-las. Há os sexualizados comerciais de cerveja, mas também a Marcha das Vadias. As novelas globais escolhem protagonistas caricatas, mas  uma produção cada vez mais consistente no audiovisual independente revida. Há homens relinchando em redes sociais, apoiando seus discursos em políticos machistas como o acusado de estupro Marco Feliciano, mas também iniciativas como o Chega de Fiu-fiu, que mapeia os pontos de assédios em São Paulo, criando uma mapa de proteção que extrapola o virtual.

A cultura tem algo de barro, podendo ser moldada à muitos mãos – temos que fazer com que sejam mãos de mulheres. Elas já estão ocupando São Paulo com eventos para discutir o feminismo, os lugares de protagonismo feminino (que são todos) e como a cidade pode se tornar mais afável as garotas e mulheres que as ocupam. Essa agenda pretende cobrir a efervescência feminista que tem varrido a cidade, contribuindo ainda que singelamente com uma luta que é de todas. Dar visibilidade aos movimentos sociais é torná-los parte da agenda cultural.

A cultura como alma coletiva só é coletiva se for também das mulheres.

 

“Chega de Fiu Fiu” abre debate sobre feminismo na PUC de São Paulo

Ilustração feita pela designer Gabriela Shigihara pelo blog Think Olga /Foto: Reprodução
Ilustração feita pela designer Gabriela Shigihara pelo blog Think Olga /Foto: Reprodução

Toda mulher nasce feminista, e embora a maioria delas não lute pelos ideais, com certeza compartilham dos mesmos medos e anseios daquelas que soltam a voz. E então, de alguma forma, se sentem vingadas pelas injustiças diárias que enfrentamos só, por sermos mulher.

Esse foi o caso da ex-jornalista de moda Juliana de Faria que “com o tempo, descobriu que gostava mais de falar sobre a mulher que veste a roupa do que sobre a roupa que veste a mulher” e diariamente escreve sobre o assunto em seu blog Think Olga.

Nos últimos meses a campanha “Chega de Fiu Fiu” levantou a discussão sobre o assédio sexual em espaços públicos contra as mulheres e, segundo pesquisa com mais de 7.762 pessoas, 99,6% afirmaram já ter recebido uma cantada e dessas, 83% não gostaram.

Para debater sobre o assunto, Juliana dará uma palestra na PUC de São Paulo, nesta quarta-feira, 02 de outubro, às 10 horas, na sala 100 (primeiro andar). Entrada livre.

campanha-chega-de-fiu-fiu

Veja a repercussão:

Época

Portal R7

Catraca Livre

M de Mulher

Manual do Homem Moderno

Por Nathália Penteado

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